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Waud Hocking Kracke
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Metadados
Nome
Waud Hocking Kracke
Descrição
Waud Hocking Kracke foi um antropólogo norte-americano de orientação psicanalítica, reconhecido por suas pesquisas com os povos Kagwahiva da Amazônia brasileira, especialmente os Parintintin. Sua produção etnográfica destaca-se por articular antropologia simbólica e psicanálise, investigando temas como sonhos, subjetividade, organização social e cosmologia, contribuindo para uma compreensão mais profunda das dimensões culturais e psicológicas das sociedades indígenas.
Professor no Departamento de Antropologia da University of Illinois at Chicago, Kracke dedicou décadas ao estudo e à defesa dos Parintintin. Seu acervo, que reúne materiais produzidos entre 1959 e 2013, documenta tanto suas pesquisas de campo quanto sua atuação acadêmica, incluindo escritos publicados e inéditos. Sua obra permanece como referência central na etnologia amazônica, especialmente por integrar análise cultural e experiência subjetiva na interpretação das sociedades indígenas.
Notas sobre o agente
Waud Hocking Kracke (1939–2013) foi um antropólogo norte-americano de orientação psicanalítica, reconhecido por suas pesquisas e atuação junto aos povos Kagwahiva da Amazônia brasileira, especialmente os Parintintin. Nascido em Pequim, na China, formou-se em História e Ciência pelo Harvard College (1961) e seguiu para a University of Chicago, onde obteve mestrado (1966) e doutorado em Antropologia (1973). Posteriormente, aprofundou sua formação no Chicago Institute for Psychoanalysis, consolidando uma abordagem singular que articulava antropologia simbólica e psicanálise. Sua tese de doutorado, centrada na política, emoções e liderança entre os Parintintin, deu origem ao livro "Force and Persuasion: Leadership in an Amazonian Society" (1978), referência nos estudos amazônicos. Ao longo da carreira, publicou mais de 40 trabalhos acadêmicos e recebeu reconhecimentos como bolsas Fulbright e o Boyer Prize por contribuições à antropologia psicanalítica.
Kracke dedicou sua trajetória profissional ao ensino no Departamento de Antropologia da University of Illinois at Chicago, onde atuou desde 1970 , tornando-se professor titular em 1990. Realizou trabalho de campo contínuo entre os Parintintin desde o final da década de 1960, retornando regularmente à Amazônia ao longo de sua vida, e teve papel ativo na defesa de seus direitos, contribuindo, em 1985, para o processo de demarcação da Terra Indígena Parintintin junto à FUNAI. Em 2007, doou parte de suas coleções e arquivos ao Museu do Índio (atual Museu Nacional dos Povos Indígenas) e aos Parintintin, visando garantir o acesso dos próprios povos indígenas a esses materiais. Casado duas vezes, com Laura Huyssen Kracke e posteriormente com Lúcia Villela Minnerly, faleceu em 31 de dezembro de 2013, em Chicago, deixando um legado fundamental para a etnologia amazônica e para a compreensão da dimensão subjetiva nas sociedades indígenas.
Cronologia
1939 (18 de outubro) Nascimento em Pequim, China, filho de Edward e Joan Kracke. 1962 Graduação (B.A.) em História e Ciência pelo Harvard College. Realiza trabalho de campo em Chanzeaux, Maine-et-Loire, França. 1966 Mestrado (M.A.) em Antropologia pela University of Chicago. 1966–1968 Pesquisa de campo de doutorado entre os povos Kagwahiva, especialmente os Parintintin, no Amazonas, Brasil. 1970–1973 Atua como instrutor no Departamento de Antropologia da University of Illinois at Chicago (então UICC). 1971–1973 Editor associado da revista American Anthropologist. 1972–1973 Membro do grupo de planejamento do Center for Psychosocial Studies. 1973 Doutorado (Ph.D.) em Antropologia pela University of Chicago. 1973–1977 Professor assistente no Departamento de Antropologia da University of Illinois at Chicago Circle. 1975 Certificado em formação em pesquisa psicanalítica pelo Chicago Institute for Psychoanalysis. 1977 Consultor do grupo Cultural Survival em projetos de reassentamento na Amazônia. 1977–1990 Professor associado no Departamento de Antropologia da University of Illinois at Chicago. 1979–1986 Editor colaborador do Handbook of Latin American Studies. 1982 Professor visitante no Bennington College (Vermont). 1983 Professor Fulbright no Departamento de Ciências Sociais da Universidade de Brasília. 1985 Integra equipe da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) no processo de identificação e demarcação de terras indígenas. 1988 Recebe o Boyer Prize por suas contribuições à antropologia psicanalítica. 1990–2013 Professor titular no Departamento de Antropologia da University of Illinois at Chicago. 2013 (31 de dezembro) Falecimento em Chicago, Illinois, Estados Unidos
Bibliografia selecionada
1967. "The Maintenance of the Ego: Implications of Sensory Deprivation Research for Psychoanalytic Ego Psychology." British Journal of Medical Psychology 40: 17-28. 1976. "Uxorilocality in Patriliny: Kagwahiv Filial Separation." Ethos 4(3): 295-310. 1978. Force and Persuasion: Leadership in an Amazonian Society. Chicago: University of Chicago Press. 1978. "A Psychoanalyst in the Field: Erikson's Contributions to Anthropology." In Childhood and Selfhood: Essays on Tradition, Religion and Modernity in the Psychology of Erik Erikson, edited by Peter Homans. Lewisburg: Bucknell University Press. Reprinted in Advances in Psychoanalytic Sociology (California: The Krieger Press, 1986). 1979. "Dreaming in Kagwahiv: Dream Beliefs and their Psychic Functions in a South American Indian Culture." Psychoanalytic Study of Society 8: 249-267. 1980. "Amazonian Interviews: Dreams of a Bereaved Father." Annual of Psychoanalysis 8: 249-267. 1980. "The Complementarity of Social and Psychological Regularities: Leadership as a Mediating Phenomenon." Ethos 8(4): 273-285. 1981. "Don't Let the Piranha Bite Your Liver: A Psychoanalytic Approach to Kagwahiv Food Taboos." In Food Taboos in Lowland South America, edited by Waud H. Kracke and Kenneth M. Kensinger. Working Papers on South American Indians 3: 91-142. Republished in Psychoanalytic Study of Society 15: 205-246. 1981. "Kagwahiv Mourning: Dreams of a Bereaved Father." Ethos 9(4): 258-275. Reprinted in Dreams: A Reader on Religious, Cultural, and Psychological Dimensions of Dreaming, edited by Kelly Bulkeley. New York: Palgrave. 1984. "Form without Function? Kagwahiv Moieties and Marriage." In Marriage Practices in Lowland South America, edited by Kenneth M. Kensinger. Urbana: University of Illinois. 1984. "Malinowski and the Sphynx." In Psychoanalysis: The Vital Issues, edited by John E. Gedo and George Pollock. New York: International Universities Press. Emotions and Behavior Monographs no. 2. 1986. "Mitos nos sonhos: Uma contribuição amazônia a teoria psicanalítica do processo primário." Anuario Antropológico 84: 47-94. 1987. "Encounter with Other Cultures: Psychological and Epistemological Aspects." Ethos 15(1): 58-81. 1988. "Kagwahiv Mourning II: Ghosts, Grief, and Reminiscences." Ethos 16(2): 209-222. 1990. "El sueño como vehículo del poder shamánico: Interpretaciones culturales y significados personales de los sueños entre los Parintintin." In Antropologia y experiencias del sueño, edited by Michael Perrin. Quito: Abya-Yala Editions. 1991. "Languages of Dreaming: Anthropological Approaches to the Study of Dreaming in Other Cultures." In Dreaming: A Call to Mental Arms, edited by Jayne Gackenbach and Anees Sheikh. Farmingdale: Baywood Press. 1991. "The Self and Kagwahiv Dreams." Psychoanalytic Study of Society 16: 43-53. 1992. "He Who Dreams: The Noctural Source of Transforming Power in Kagwahiv Shamanism." In Portals of Power: Shamanism in South America, edited by Jean Langdon. Albuquerque: University of New Mexico Press. 1997. "Dreams, Ghosts, Tales: Parintintin Imagination." The Psychoanalytic Review 84(2): 273-281. 1999. "A Language of Dreaming: Dreams of an Amazonian Insomniac." The International Journal of Psycho-analysis 80(2): 257-275. 2002. "Um Mundo em Movimento: os Parintintin." Anuário Antropológico, Rio de Janeiro, v. 99, p. 145–156. 2006. "To Dream, Perchance to Cure: Dreaming and Shamanism in a Brazilian Indigenous Society." Social Analysis: The International Journal of Social and Cultural Practice 50(2): 106-120. 2009. "Dream as Deceit, Dream as Truth: The Grammar of Telling Dreams." Anthropological Linguistics 51(1): 64-77.
Sexo
Masculino